Fotógrafo registra a crise climática e hídrica que ameaça os oásis do Marrocos
M’hammed Kilito documenta a degradação acelerada dos oásis e alerta para a crise climática e hídrica que ameaça a sobrevivência dessas ilhas de verde no deserto
Os oásis, localizados em regiões áridas e semiáridas, são considerados barreiras naturais contra a desertificação e refúgios fundamentais para a biodiversidade. Seu equilíbrio depende de três elementos: água abundante, solo fértil e a presença das tamareiras, que, com suas copas em forma de guarda-sol, criam um microclima úmido e protegido do vento, permitindo a sobrevivência de outras plantas.
Esse equilíbrio, no entanto, está se desfazendo. Segundo o Ministério da Agricultura do Marrocos, o país perdeu dois terços das 14 milhões de tamareiras que possuía no último século. Nos últimos 20 anos, a pressão humana e as mudanças climáticas vêm fragilizando ainda mais esses ecossistemas.
O fotógrafo marroquino M’hammed Kilito transformou essa crise em projeto. Batizado de Before It’s Gone (“Antes que desapareça”), ele registra a vida nos oásis e os impactos da degradação ambiental sobre seus habitantes. As imagens já integraram exposições internacionais, como Thirst: In Search of Freshwater, em cartaz no Wellcome Collection, em Londres, até fevereiro de 2026.
“Nos últimos quatro anos, tenho documentado não apenas a vida nos oásis, mas também os efeitos do aquecimento global: desertificação, secas e incêndios”, explica Kilito ao The Guardian. “Quero entender melhor como cada comunidade local enfrenta as mudanças climáticas e conhecer as boas práticas aplicadas à valorização e à conservação dos oásis.”
A perda da vegetação não é apenas um problema ambiental. Os oásis sustentam a agricultura, a pecuária e a sobrevivência de milhares de pessoas. Em 2019, o Greenpeace alertou para a ameaça de extinção dessas áreas devido ao aumento das temperaturas e à escassez de recursos hídricos. Secas que antes ocorriam a cada cinco anos hoje se repetem a cada dois, forçando deslocamentos populacionais e reduzindo drasticamente as atividades econômicas.
Mais do que “ilhas de verde” no deserto, os oásis são também guardiões da cultura nômade e de práticas ancestrais de convivência com a terra e a água. Para Kilito, documentar esse processo é uma forma de pressionar autoridades, despertar a opinião pública e preservar a memória coletiva: “É um apelo para que protejam tanto o patrimônio imaterial quanto o ecossistema natural dos oásis.”
Apesar do cenário alarmante, o fotógrafo ressalta que não se trata apenas de registrar destruição. Seu trabalho também mostra a resistência de comunidades, cientistas e associações locais que lutam diariamente para preservar os oásis. “Quero encerrar este projeto com uma mensagem de esperança”, afirma Kilito.









