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Um Só Planeta
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Com um chamado para uma mudança urgente, Omoyemi Akerele, fundadora da Lagos Fashion Week, subiu ao palco do Earthshot Prize 2025 para receber o prêmio na categoria “Construindo um Mundo Sem Resíduos”. “Convocamos as fashion weeks e os parceiros do sul global a se unirem a nós, adotando esse modelo de trabalho com recursos locais, valorização de artesãos e restauração do planeta”, disse a vencedora, que foi reconhecida pelo protagonismo dado à mão de obra no continente africano.

O recado vai de encontro ao relatório divulgado na mesma semana pelo Fashion Revolution sobre a transparência climática do setor de moda brasileira. As 60 marcas foram analisadas em cinco critérios, sendo o mais problemático o de transição justa, que defende direitos e qualidade de vida de trabalhadores e comunidades impactadas pela emissão de carbono. 65% das marcas não pontuou neste ponto, embora as informações sobre redução de CO2 – outro item analisado – tenha sido o de maior pontuação com 40%.

Para Isabella Luglio, coordenadora de pesquisa no Fashion Revolution Brasil, a clareza nos dados é o primeiro passo rumo à justiça climática. “Enquanto o mundo corre para alcançar as metas climáticas, grandes marcas da moda continuam operando com impunidade, evitando até mesmo os níveis mínimos de transparência. Nesse meio tempo, são os trabalhadores e as comunidades responsáveis pela produção das nossas roupas que sofrem os maiores impactos”, reflete.

Status do ranking

Para chegar às 60 marcas analisadas, a organização do Fashion Revolution Brasil olhou para três fatores: o volume de negócios anual; a diversidade de segmentos de mercado; e o reconhecimento da marca pelos consumidores (posicionamento como top of mind). “Para representar o mercado de moda brasileiro como um todo, selecionamos etiquetas de diferentes segmentos com o objetivo de abranger a diversidade do setor. Assim, a distribuição incluiu os segmentos de varejo, jeans, jovem, casual, luxo, adulto, calçados, esporte, underwear, praia e infantil”, explica Isabella.

Confira, a seguir, as 10 marcas com maiores pontuações:

  1. Renner 76%
  2. Youcom 76%
  3. Adidas 65%
  4. Ipanema 65%
  5. Melissa 65%
  6. C&A 64%
  7. Riachuelo 57%
  8. Malwee 56%
  9. Arezzo 54%
  10. Reserva 54%

Em meio à COP 30 e com o Brasil sendo um dos países signatários do Acordo de Paris -- em que metas de redução de emissões de gases de efeito estufa e neutralidade de carbono forma estabelecidas até 2050 --, o índice serve como um alerta para que metas climáticas saiam do papel. “O retrato revelado por esta pesquisa é de um setor que ainda se esquiva de suas responsabilidades. O futuro da moda será definido não pelo que as marcas prometem em relatórios ou projetos pilotos, mas pelo que decidem financiar a longo prazo e pela forma como garantem dignidade e resiliência para as pessoas que fazem nossas roupas”, aponta o documento.

Um Só Planeta — Foto: Glamour
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